5 minutinhos com MC Soffia

05 - 07 - 2016

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Desde muito pequena ,MC Soffiajá empoderava uma legião de meninas que a seguem até hoje em seus shows e redes sociais. Com discurso sempre na ponta da língua, em  suas rimas Soffia faz acontecer.

Hoje com 12 anos de idade, questionadora da igualdade racial, a jovem MC, através das suas próprias composições, encoraja meninas e as colocam como verdadeiras rainhas e personagens principais de suas histórias.

Conversei um pouquinho com a nossa mini rapper e ela me contou quando começou a cantar e principalmente porque a abordagem de suas músicas tem como foco e tema principal o racismo.

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Confira nossa conversa e veja o quanto é importante a representatividade desde sempre, principalmente na infância. Onde a personalidade se desenvolve e se solidifica:

Carolina Souza: Soffia, qual foi a sua inspiração para começar a cantar e ter como principal tema a questão racial nas suas músicas?

Mc Sofia: Eu comecei a cantar com 6 anos. E a minha inspiração foram as oficinas de Hip Hop, onde aprendi e comecei a cantar. E falo sobre essas questões, porque não vejo crianças negras como principais, não vejo negros em revistas e comerciais. Eu já sofri racismo e ainda sofro, por conta de novela, filmes, revistas. Então não sou só eu que falo sobre essas questões, como outras pessoas também vão ajudando de pouco em pouco, até a gente conseguir não existir mais racismo. 

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CS: Você sente falta de ver nas bancas revistas com crianças negras nas capas?

MCS: Sim. Eu sinto falta porque não tem muitas crianças negras principais nas revistas e quando eu apareço, eu acho muito importante, já é legal! Mas, não é só eu aparecer. Eu numa folha e as outras crianças todas brancas. Então eu acho, por exemplo, que outras crianças negras poderiam estar nas revistas, nas capas…  Eu sinto muita falta!

CS: O que gostaria de ler em uma revista infantil? 

MCS: Ah, não sei tipo, falar de cada criança, não só de quem é conhecido. Falar sobre as crianças negras que fazem passinho, sambam, que fazem poemas, teatro. Contar sobre as histórias delas, falar sobre os índios… Tem que ter todos os tipos de pessoas! Então, tem que ter mais negros, porque os brancos são a grande maioria nas revistas. Mas o principal para mim é: queria que falassem a história de cada um, sobre quem descobriu o Brasil mesmo – que não foi Pedro Álvares Cabral – foram os índios que já moravam aqui. Isso que eu gostaria que as revistas falassem e as pessoas comprassem.

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CS: Qual conselho você gostaria de deixar para as crianças negras em nosso Brasil?

MCS: O que eu gostaria de deixar para as crianças negras, que se amem, se gostem, aceitem seu cabelo, sua cor porque elas são bonitas assim! Comecem a procurar sobre a sua história e cobrem as professoras a falarem sobre a questão racial, porque existe uma lei que tem que falar sobre a questão negra nas escolas, pra que as crianças desde a creche até a faculdade já saiam sabendo que são bonitas, que conheçam bem a sua história, que se gostem e que ajudem os seus amigos, afinal, tem que ser cada um se ajudando. Essa mensagem que eu gostaria de deixar:  poder para as crianças negras!

 

Se você ainda não conhece essa pequena gigante garota está mais que na hora de colocar pra quebrar ao som da MC Soffia e deixar se envolver de representatividade, empoderamento e muito amor!

 

{ Post editado por Graucianna Santos e Luiza Brasil}