100freio por Apolinário : saiba mais sobre a neo-marca!

28 - 03 - 2016

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Conheci o Apolinário (@100freio)  durante a minha vida de moradora da paulicéia. Sua estética contemporânea e seu gosto musical para lá de refinado me deu aquele estalo do tipo “quero ser amiga dele”.

Rolê vai, rolê vem, era para ele estar aqui no MEQUETREFISMOS, faz um tempo. Sem dúvidas, ele está na minha lista e foi uma das primeiras pessoas que pensei, na hora de montar a lista de “afro-boys” para seguir no Instagram (caso ainda não tenha visto, clique aqui). Mas, seus codinomes nas redes mudavam a cada segundo e… o perdi do meu radar.

Mas agora o rapaz “sem freio” inicia sua nova empreitada e, sem dúvidas, não o perderemos mais de vista! Em uma rápida “meque-entrevista”, o rapaz conta sobre a sua nova marca que tem dado o que falar, a 100freio e sobre suas principais referências e inspirações:

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MEQUETREFISMOS: Como foi o processo de construção de marca da 100freio?

APOLINÁRIO: 100freio é um jogo de palavras, que sugere o fim pela plenitude. 100 como sem ou sem como 100. Dessa brincadeira gramatical, surgiram alguns processos criativos. A marca já estava engatinhando como Apolinário, mas decidi desconstruir um pouco do trabalho em outras áreas que executo, como Fotografia e Música, e surgiu esse filho, a Cemfreio.

MQT: Como surgiu a inspiração para a sua coleção?

AP: Há cerca de 2 anos, eu executo um trabalho com foco na quebra e dialética na questão de gêneros. E a marca veio para fomentar esse trabalho de pesquisa , contextualizando com o dia-a-dia.

MQT: Quais são as principais referências estéticas suas e da marca?

AP: Os anos 90. Longe do hip hop e mais próximo do pauperismo oriental. Rei Kawakubo, Yohji, Rick Owens… todos esses caras que desconstroem a silhueta e criam algo novo sem exageros.

MQT: Como você enxerga a questão da representatividade no seu trabalho?

AP: Eu sou um dos poucos representantes do “agênero” negro no Brasil e, se arriscar, no mundo. Mas o lance é mais profundo. Quero misturar todos os polos inspiracionais para mim. Do graffiti das ruas à alta costura, todo mundo junto e misturado no melhor estilo BONDE!

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MQT: Você é um forte atuante na cena musical e agora no universo da moda. Quais outros representantes negros vc destacaria nesses segmentos?

AP: Música hoje minha irmã da ZL, Thays Dayane e o Nego E, para cantores. Produtores eu tô colando muito, mas muito, com essa galera mais nova e bem “embrasada” na desconstrução da imagem tipo os meninos da Batekoo, o Wings (Ramon Camposki) e a Cris da Wine, os moleque tão muito LISOS! Na moda, temos a Julliana Araujo, que promete voar muito baixo com a RMA3.

MQT: Quando você  se reconheceu como homem negro na sociedade?

AP: Eu sempre fui o cara de “front” de muitas coisas. Me assumi muito cedo, saí de casa mais cedo ainda e sempre fui alvo de inúmeros problemas inerentes a nossa sociedade por ser negro. Mas o lance é: o jogo é nosso e o apito também. Ninguém vai apitar mais alto que a gente!

MQT: O que esperar da Cem Freio daqui em diante?

AP: Tudo, exceto ficar parada!

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Créditos:

Imagens: Fernando Schlapfer / I Hate Flash

Modelos: Deise Nicolau / Apolinário

Jaqueta/ Camiseta / Calça: 100 Freio

Meia: Rober Dognani

Top: Caroline Iffon

Sapato: Puma

Chinelo: Nike