Amar é: preto no branco!

12 - 06 - 2014

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Estar com quem se gosta e te completa é maravilhoso e ter alguém que você possa se sentir “cúmplice” nas mais diversas ocasiões é uma delícia. Tudo isso, seja do time dos solteiros ou do time dos casados, a gente sabe que é muito gostoso de viver. Como nos votos mais tradicionais de casamento, é a coisa mais linda amar e respeitar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… mas e nas diferenças?!

Um dia desses, li sobre a família mais fotogênica (e uma das mais requisitadas para campanhas publicitárias) da Grã-Bretanha. Engana-se quem pensa naquele estereótipo de “família de propaganda de margarina”, que tanto vende-se no Brasil. A trupe dos Rowleys é composta pelo casal Kimberley e Antônio, além de seus três filhos – “mesticíssimos” -, se assim posso falar. Uma misturinha boa, bonita e encarada com muita naturalidade, isso é o mais importante e talvez a chave do sucesso.

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Já estive em relacionamentos interraciais e sei bem como é isso. O grande segredo para dar certo é simplesmente não encará-lo como tal. Não levar como um estigma da relação a raça dos envolvidos, entender o outro não como uma cor de pele, mas sim como dois indivíduos e suas respectivas diferenças. O peso da palavra “interracial” nunca foi uma questão para mim e creio que para os outros envolvidos também não.

Mas um namoro/casamento/relacionamento de maneira geral não é só composto por você e seu parceiro(a). Existe uma rede de relações muito grande que inclui amigos, colegas de trabalho, família, entre outros e, em muitos casos, aí que pode estar o X do problema.

É inacreditável, mas muita gente ainda encara isso como uma barreira ou algo sobrenatural. Perguntas e falas do tipo “Nossa, mas ela é negra?”, “Como serão os filhos de vocês?”, “E a namorada do ‘cabelão’?!” ou ainda “ATÉ que é bonitinha!” e “Teve bom gosto na morenona!” serão coisas recorrentes e isso exigirá muito jogo de cintura seu e, principalmente, do amado(a).

A cantora de jazz Pearl Bailey com o seu marido Louis Bellson no Hyde Park, em 1957

A cantora de jazz Pearl Bailey com o seu marido Louis Bellson no Hyde Park, em 1957

Depois de todos esses discursos tão carregados do velho “racismo velado”, sei que às vezes dá vontade de colocar à toda prova o nosso espírito mais “justiceiro”, mas vai por mim, em nome do amor, dê o mínimo de tempo para tudo entrar nos eixos. Mas claro, insultos são inadmissíveis e devem ser repreendidos e, sim, reporte tudo ao seu amado(a). Caso ele/ela não faça nada para a contornar a situação, o melhor a fazer é CAIR FORA. Afinal, se a pessoa não se impõe entre os mais próximos, imagina como será para a mesma encarar o relacionamento de vocês para o resto do mundo?

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Em minhas leituras outra coisa que me deixou bastante reflexiva foi o relato de uma menina negra que só se relacionava com caras negros. Entre as justificativas dela era o fato deles entenderem com mais facilidade que os brancos coisas do dia-a-dia sócio-cultural e físicos como a religião, o nariz largo, os lábios grossos e principalmente os cabelos. A alegação da moça é que os rapazes negros ao conviverem com suas mães já estão mais habituados com a questão do cabelo crespo, entendem melhor que naturalmente acordamos com as madeixas “amassadas” e que toda essa preocupação estética é uma realidade relacionada à nós, mulheres afro. Concordo que são de fato assuntos extremamente delicados e não tão fáceis quanto se pensam, mas me preocupa bastante essa restrição, pois para mim, isso pode refletir em um perigoso afastamento de uma “cara-metade” surpreendentemente bacana e quem perde com isso tudo minha cara, é você.

Sim, em escolas em que a grande maioria é branca, como a que eu estudei, ficava literalmente clara a preferência dos meninos, talvez por ser a referência que a maioria via em casa. Tenha em mente que em mais ou menos tempo, você e “eles” amadurecem. O melhor de tudo é que você aprende a ressaltar suas principais qualidades e sua autoestima eleva à milésima potência. Às vezes é basicamente isso que a gente precisa para ser vista com outros olhos, principalmente se esse olhar em questão é o masculino.

É, chegou o meu momento de passar uma mensagem final e, certamente, está é: ame cores, mas, acima de tudo, ame pessoas! Ok, isso pode ser um baita clichê. Caso já faça esse exercício ao longo da sua vida (acredito que as leitoras e leitores do GWS estão aqui por causa disso), parabéns! Ajude a espalhar essa mentalidade que considero maravilhosa.

Caso ainda não pratique, calma, não se culpe. Apenas carregue contigo a ideia de que quando você gosta de verdade de alguém, não é só uma coisa de pele, mas sim de alma.

 

{Conteúdo revisado, produzido originalmente para o Girls With Style}