Pardon My Coxas

07 - 04 - 2015

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Professor de funcional do momento, treino de Mahamudra que a turma chega a passar mal, pílulas milagrosas que secam tudo – inclusive neurônios. “Você é do tipo que faz dietas para comer à vontade ou as que come de tudo um pouco?”. “Meu plástico falou que é para eu aproveitar e turbinar minhas próteses para já!”.

É, foi bombardeada de assuntos tão instigantes quanto esses que fiquei em uma mesa “lyndas”. Depois de comer de tudo do bom e do melhor(sem culpa), deixei meu e-mail para uma delas, que insistiu em me passar uma dieta bombástica. Como se eu quisesse, como se eu fosse obrigada a querer por conta dos meus quilos a mais.

Vendem para nós, mulheres, um mercado de insatisfações. Seu peito sempre é pequeno ou grande demais. Você nunca é alta o suficiente para vestir aquela peça-desejo que vai te achatar ou alta o bastante para usar aquela proposta mais girlie sem parecer uma bobona. Sua coxa? Grossa em demasia. Ah, é fina? Bora “bombar” isso aí!

Sim, caras amigas, nunca conseguimos atingir a nossa plenitude, pois simplesmente nunca querem que nós a conquistemos. Apenas chegamos minimamente próximo disso se for à base do “no pain, no gain”, muita abdicação, frango com batata doce e altas doses de #forçafocoefé para sentirmos a #gratidão de uma barriga chapada e saboneteiras “highlevel” para postarmos em nossas redes sociais.

Ah, sem contar que quando não somos nós mesmas nos punindo diariamente pela nossa síndrome de “Mulher Maravilha do contemporâneo”, corre o risco daquela opinião infeliz ser por parte deles. Uma vez, com 19 anos (DEZENOVE ANOS), ouvi de um certo cara que eu ficaria ótima se eu colocasse silicone. Na época rolou aquele estalo de “como assim ele falou isso?”, mas achei normal esse tipo “crítica, sugestão, dúvida e reclamação” e digeri isso em forma de complexo por um longo tempo. Afinal, fomos criadas para ficarmos bonitas para eles, certo?

Mas agora, graças a essa internet maravilhosa, que me explica diariamente tim-tim por tim-tim, palavrinhas mágicas como feminismo e sororidade, acabou o milho, acabou a pipoca para os seres de alma machista que nos rejeitam pelo esmalte preto, pela depilação que não está em dia ou pelo penteado “man repeller”. Não leve mais isso tudo tão à sério, não se preocupe tanto com esses fatores. Curta mais você mesma, relaxe e goze!

Hoje em dia, após minha ida para São Paulo, adquiri muita sabedoria, experiência, amigos incríveis, mas também, 5 quilinhos a mais. Confesso que eles não tem me incomodado tanto quanto se fosse há um tempo atrás, quando me sentia moldada por uma criteriosa peneira de senso crítico que incluía o trabalho com moda e relacionamentos. Atualmente, reconheço a importância de fazer uma atividade física, mas que seja algo prazeroso, no meu tempo e em prol da minha saúde(hello para os quase 30!).

Se você é adepta do silicone, das dietas das estrelas, dos preenchimentos e das mais variadas incisões corporais possíveis, meu máximo respeito, afinal, “your body, your rules”. Porém, viva e deixe-me viver com dignidade os meus “provolones”, meu sutiã tamanho 40 sem push up e minhas “pernoquitas roliças” ao longo do meu 1,58, de chinelinho de dedo ou tênis.

Complexos e “complexadores”: vocês não passarão!