Tomo guaraná, suco de cajú? Limonada. O que aprendi com o novo album da Beyoncé

25 - 04 - 2016

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Durante o final de semana, a internet foi unânime e só se falava em “Lemonade”, o recém-lançado vídeo-álbum da minha, da sua, na nossa Beyoncé.

Falando francamente, na minha “vitrolinha diária” tenho um apreço imenso por  Grace Jones, Elsa Soares, Donna Summer, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Porém, nomes como “Bey” e Rihanna ganham cada vez mais o meu respeito não só musicalmente, mas também pelos seus respectivos ativismos, que promoveram as questões raciais para algo que vai muito além do empoderamento estético (que ainda é extremamente importante, ok?!), fazendo a manobra para algo mais político, com boas doses de reflexão.

Longe de mim querer fazer uma análise semiótica ou uma resenha musical em torno do novo trabalho da “diva do mundo”. Sei que a crítica especializada já se manifestou, recebendo muito bem o álbum visual e Knowles está sendo elevada ao patamar de ícones da vanguarda como Madonna e Bjork. Se isso é título para poucos, para poucas e negras é um feito histórico.

Mas assistindo ao “Lemonade” me toquei de alguns pontos importantes e que considero imprescindíveis em nossa militância, que ao vê-los representados pela mãe de Blue Ivy ficaram ainda mais claros. São eles:

 

- O PODER DO COLETIVO E DAS SUAS CONEXÕES:

 

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Finalmente isso tem sido percebido por nós, a tempo. Mesmo estando no topo da pirâmide de uma “supremacia negra” de empoderamento e representatividade, Beyoncé vê a importância da articulação nas mais diferentes vertentes e convoca para a sua “formation” nomes como Serena Willians e o duo franco-cubano Ibeyi, composto por Lisa Kaindé e Naomi Díaz, além das mães e familiares de jovens negros norte-americanos. Ela tem em mente que a construção de uma rede nos torna ainda mais fortes do que a luta em separado.

 

- ENTENDER QUE AS QUESTÕES RACIAIS TEM PECULIARIDADES, MAS NADA DEVE SER MENOSPREZADO:

 

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Ainda batendo na tecla da questão das conexões, sim, somos negros, podemos ser diferentes um dos outros, mas mesmo assim, a união nos move – não os desentendimentos. Sejamos nós ricos ou pobres, escolarizados ou não, de pele mais clara ou mais escura, o racismo bate em nossa porta diariamente, e uma das melhores formas de combatê-lo é não encarando a luta do outro como “menor”, mas transformando tudo isso em troca de energia. Empoderar, incentivar uns aos outros é essencial! Vivemos um período de construção e precisamos de todas as engrenagens trabalhando da melhor forma possível.

 

- TEMOS DE SER “PÉ NA PORTA” PARA GARANTIR AS NOSSAS CONQUISTAS:

 

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Antes de tudo, que fique claro que isso não tem a ver necessariamente com agressividade. Seja você da filosofia Martin Luther King Jr ou da atitude Malcom X, a passividade e a conformidade já sabemos que não nos leva a muita coisa. Porém se limitar às reclamações nas redes sociais pode trazer uma visibilidade à causa, mas em vários casos o que acontece é uma chuva de “likes” e a aplicação no dia a dia é pouco eficaz. Ter em mente que mudar o mundo começa com pequenas atitude que impactam aos que vivem ao seu entorno pode ser uma motivação – e mais fácil do que a gente pensa.

 

- SAIBA MAIS SOBRE A SUA HISTÓRIA!

 

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Na elaboração do álbum fica claro que Beyoncé e sua equipe mergulharam fundo nos livros da História afro-americana. Seja pelo nome “Lemonade”, que faz alusão à bebida que escravos bebiam com a esperança de embranquecer, seja pela estética milimetricamente pensada e com um forte perfume creole ou, ainda, pela influência pesada do jazz e do blues das composições. Não se constrói um futuro consistente, se não resgatarmos o passado.

 

É, meu caros, nunca uma limonada desceu tão doce para alguns e tão amarga para outros…