Afropunk: conheça a tribo-hit

19 - 07 - 2014

mequetrefismos-modices-afropunk

Após o boom do Normcore e do retorno da estética Clubber, andou pipocando em minhas timelines, pesquisas e pinterest(aliás, me segue lá!) uma tribo que me deixou em um grau máximo de excitação: a Afropunk. A turma reúne muito bem toda a subversão, transgressão e atitude do tradicional punk, sem deixar de lado a “ternura” e a exuberância étnica, típicas de suas raízes.

Sinceramente, foi uma das melhores coisas que vi em 2014. O Afropunk, que tudo indica nasceu no Brooklyn – Nova York, surgiu a partir da inserção dos negros na punk music, entre outras culturas alternativas. Apesar de ainda ser uma minoria diante do cenário musical, o movimento ganhou bastante força e hoje é comparado a outras vertentes famosas como a Riot Girl, dedicadas ao punk feminista, e ao Queercore subgênero que contempla comunidades gay, bissexual e transgênero.

Para a felicidade dos amantes da tribo, desde 2002 acontece na Big Apple o Afro Punk Music Festival, que é um colírio paras os olhos e para os ouvidos, com um line-up que conta não só com nomes consagrados do estilo musical, mas também com novos e bons nomes da black music em geral. Pelo visto, marcas famosas com Kenzo, a Balmain e a Opening Ceremony já “mordiscaram” um pouquinho do grupo que a cada dia que passa conquista o mundo e já trouxeram algumas referências para as suas coleções:

mequetrefismos-modices-afropunk-1

Como todas as tribos, a Afropunk também possui um misto de códigos visuais usado pelos seus entusiastas. Seja nos looks ou na beleza, listei alguns tópicos frequentemente presentes nas produções:

LOOKS:

Correntes: São elementos obrigatórios. Ok, pode até ser no pulso ou no pescoço, mas o grande barato é usá-las atreladas aos piercings faciais como no nariz e nos lábios.

mequetrefismos-modices-afropunk-2

Creepers/Lita Boots/ Sapatos com solados tratorados: Essa mania nós também já conhecemos. Mas diferente das propostas ultraproduzidas e sexy que estamos acostumadas a ver com os sapatos-statement,  a intenção é ser a mais despretensiosa possível, com um “quê” de miscelânea.

mequetrefismos-modices-afropunk-3

Listras: Se você pegou bode das listras por causa da febre BeetleJuice, pode esquecê-las em 3, 2, 1… o Afropunk descontrói o visual navy e classy das tiras, dando um atitude inusitada com a mistura de elementos rocker e étnicos.

mequetrefismos-modices-afropunk-4

Maxióculos redondo: Sensação! Os óculos que remetem aos 60’s/70’s viram item cool em maiores proporções, quase máscaras. Mais é mais!

mequetrefismos-modices-afropunk-5

Back to the roots: Em meio ao xadrez, listras e jeans destroyed, não faltam estampas e padronagens afro, que sempre nos fazem lembrar as raízes do subgênero.

mequetrefismos-modices-afropunk-6

BELEZA:

Piercing no septo: A perfuração que foi mania durante os anos 90 volta com força total!! Em joias mais femininas e imponentes, elas ganham um toque étnico e surgem opções cada uma mais linda que a outra!

mequetrefismos-modices-afropunk-7

mequetrefismos-modices-afropunk-7A

Rococós, birotes e coquetes: O penteado que muito lembra as heroínas de desenho animado japonês ganha versão afro que conquistou uma leva de adeptas. Bora fazer?

mequetrefismos-modices-afropunk-8

Cabelos coloridos/descoloridos: Clubber e o punk também se esbarram em algumas questões, entre elas, as madeixas coloridas. Hoje em dia é mais do que comum ver por aí moçoilas desfilando com seus quase platinados ou tons que passeiam principalmente pelos rosados, azulados e esverdeados – no caso dos fios mais escuros.

mequetrefismos-modices-afropunk-9

ATENÇÃO!!! Não se aventure a fazer essa “estripulia capilar colorida” em casa, principalmente se você já usar química. Procure um profissional para avaliar as possibilidades de usar tintura ou não.

Dreads/ rastafári(box breads) / twists/ locs: A mulherada descobriu as dores e delícias dos cabelos entrelaçados. Ok, pode ser trabalhoso, demorado e um pouquinho custosa a execução e o material, mas o resultado está aí: só lindezas. As afropunks em geral curtem os comprimentos mais looooongos e não abrem mão de um penteado escultural.

mequetrefismos-modices-afropunk-10

Makes com motivos étnicos: Ultimamente vi em diversos cliques de street style, dos mais variados festivais ao redor do mundo, makes e pinturas corporais que remetiam aos indianos e tribos africanas. No Afropunk não é diferente, porém, essas intervenções soam mais naturais. É nítido que tem uma história, uma relação com antepassados, com os seus ancestrais.

mequetrefismos-modices-afropunk-11

Black assimétrico: O black power adotado é desregular, com um aspecto “desabado”.  Ponto para a praticidade!!!

mequetrefismo-modices-afropunk-12

Moicanos: Seja com entrelaçados, alisados ou black, eliminar as laterais do cabelo virou um must entre aquelas que curtem um pouquinho mais de ousadia…

mequetrefismos-modices-afropunk-13

OUTRAS REFERÊNCIAS:

Old school: Basquiat, Grace Jones e Tupac.

mequetrefismos-modices-afropunk-14

Nova geração:

FKA Twigs, Azealia Banks, Danny Brown…

mequetrefismos-modices-afropunk-15

 

Kelela, Meshel Ndegecello, Skunk Anansie…

 

mequetrefismos-modices-afropunk-15A

 

Syd the Kyd e Tamar Kali.

 

mequetrefismos-modices-afropunk-15C

Nada melhor do que terminar com o lema do Afropunk: “the other Black experience”.

 

{Conteúdo produzido originalmente para o MODICES}